domingo, 7 de fevereiro de 2010

"terça-feira, 7 de agosto de 2007

Às vezes paro pra pensar sobre qual o pior sentimento já sentido por alguém. Quase sempre entro num consenso comigo mesma de que o pior é a frustração, mas em momentos de luz, vejo que é o descarte. O maldito descarte que todo o mundo vive fazendo com todo o mundo o tempo todo.
Depois de algum tempo se lamentando por isso você acha que aprendeu a conviver com a conciência de que vai ser jogada fora na seqüência e passa a não se importar tanto com isso. Até que acontece:
Seu herói aparece como num passe de mágica e a contragosto você sente que voltou a ter 13 anos, volta a acreditar em tudo aquilo que você passou anos pra aprender a desconfiar, passa a sentir que tudo faz sentido, finalmente, e toda aquela dependencia emocional - logo, irracional - que você precisa ter em alguém começa a acontecer, e quando chega ao seu auge, some.
Você, compreensiva como sempre tenta ser, espera que seu herói tenha ido salvar o resto do mundo e já volte pra te salvar do inferno em que ele mesmo te colocou.
Ele volta, mas não te salva. Provavelmente encontrou alguma Louis Lane ou Mary Jane pelo caminho, alguém que se importe menos.
E você se pergunta, denovo, onde tudo se perdeu. E, pra variar, não consegue achar nem onde começou.
E finalmente você volta àquela velha luta de tentar fazer alguém entender que se torna eternamente responsavel por aquilo que cativa, mas por mais que você grite ou por mais que se cale pra que seu herói se dê conta de que está se tornando o bandido, ninguém vai ouvir. Agora você volta a ser a figurante que ressalta o brilho da mocinha.
Parabéns."

 
E é isso. Foda-se-quanto-tempo-depois e ainda é isso.
Ontem um amigo inteligente me disse que é assim porque as pessoas se cansam. Por algum motivo eu nunca tinha pensado nisso dessa forma, ou nunca tinha dito em voz alta pra não precisar admitir. 
Acho que é a hora de começar a aceitar que vou ter que conviver com isso, com sorrisos sedutores que propositalmente fazem promessas bobas - a mais cruel delas é a de permaneces alí - , com sons de risadas que vão me atormentar por noite a fio, com expressões, microexpressões e termos que, na verdade, não significam nada.
In an mmmbop they're gone, in a mmmbop they're not there.
Os hanson tentam me avisar desde que nasci.

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