Nossas semelhanças são o que tornam tudo mais difícil, principalmente por eu ter consciência delas e você, nem sempre.
No intuito de me respeitar, você diz tudo o que eu sempre soube e sempre aceitei para não ter de ouvir todas aquelas verdades, ditas por sua voz grossa, e ter de te deixar ver, em meus olhos, o quanto não me importo com elas.
É essa a verdade que evito te dizer: eu não me importo. Eu convivo com todos os seus defeitos e qualidades em mim e sei que nossa maior característica é não se importar.
Não te deixei aproximar pelo potencial de fingir boas intenções de forma suficientemente convincente, te deixei aproximar pelo contrario, porque achei que você não fingisse. Isso seria perfeito, já que eu não me importo.
A primeira vez que te vi, vi um descontrole de sentidos, como se seu tato, paladar e audição absorvessem tantas informações ao mesmo tempo que essas informações não tinham tempo de serem absorvidas e transmitidas a diante, se resumindo em risadas altas, contrações musculares faciais e pronuncias confusas. Foi por isso que fiquei fascinada, por tanta informação que me interessava presas dentro de algum lugar, presas dentro de você.
Você não precisou dizer, não precisou fingir; eu só preciso botar as mãos em você, você só precisa brincar com uma mecha do meu cabelo e sentir gosto de côco.
Essa é a segunda verdade que eu não te digo: eu só me importo em te sentir com cada um dos meus sentidos, para que cada uma daquelas informações se transmita pra mim e se contraia nos meus músculos faciais. Não é complicado, eu só me fascino por sentir sua confusão, ouvir suas notas, sentir cheiro de bala de framboesa e sentir gosto de côco, independentemente do que isso signifique, independentemente da moral e dos bons costumes, sem precisar de explicações ou pedidos de desculpas.
Enquanto escrevo isso do lado de trás de uma foto sua, você fica ali me olhando com aquela confusão, e eu espero que ao ler algo do tipo, seus músculos faciais se contraiam de modo a formar um sorriso. Os meus fazem.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
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